WAGNER, ACM NETO E A CRISE ECONÔMICA DE
SALVADOR

O governador Jaques Wagner e o
Prefeito ACM Neto começaram a trabalhar juntos e Salvador começa a ver sair do
papel algumas obras de infraestrutura que são fundamentais para a cidade. Agora
os dois precisam se unir para tirar Salvador do marasmo econômico. A economia de
Salvador perdeu a liderança entre as capitais do Nordeste em 2010. Naquele ano,
segundo o IBGE, o PIB do município de Salvador, terceira maior cidade do país,
atingiu o montante de R$ 36,7 bilhões e foi superado por Fortaleza com um PIB de
R$ 37,1 bilhões. Em 2013, com a posse do Prefeito ACM Neto, a cidade tomou novo
ânimo, mas a economia ainda permanece em compasso de espera e de, tal modo, que
a taxa de desemprego na sua região metropolitana saltou de 6,3% em janeiro de
para 9,3% em setembro. Parte da redução na atividade econômica deve ser
creditada à política nacional e a desaceleração do consumo que se verifica em
todo o país. Mas parte do problema é local e reflete a concentração da economia
soteropolitana em três setores: turismo, comércio e construção civil, todos
apresentando forte desaceleração em 2013. A crise no turismo baiano é palpável e
atinge fortemente Salvador. O número de turistas estrangeiros que visitaram a
Bahia em 2012, caiu 14% em relação a 2011, segundo o Ministério do Turismo. Em
2013, entre janeiro e setembro, houve uma redução de cerca de 6% no movimento de
passageiros de voos domésticos no aeroporto de Salvador e uma redução de 8,5% no
movimento de passageiros internacionais. Já a taxa de ocupação médias dos hotéis
em setembro foi de 53,6, quando em setembro de 2012 atingia 61,6, e assim foi
durante quase todo o ano. Em relação ao mercado imobiliário, o PIB da construção
civil apresentou uma queda de 5,4% no 1º semestre de 2013, segundo a SEI,
refletindo a insegurança jurídica que ainda ronda o setor. O pior é que a
desaceleração na economia soteropolitana não é um ponto na curva, é uma
tendência e se a Prefeitura de Salvador e o governo do Estado não agirem
rapidamente em breve perderemos o definitivamente a liderança econômica
regional. Salvador precisa diversificar sua economia e isso quer dizer que
turismo e cultura não bastam para dar dinamismo econômico à cidade. É preciso
atrair indústrias não poluentes, especialmente em áreas de alta tecnologia,
potencializar o Parque Tecnológico da Bahia, criar ou ampliar polos de serviços
– portuários, financeiros, digitais, educacionais e de saúde – e estimular que
as empresas que já estão sediadas aqui invistam mais na cidade. Claro, urge
retomar a liderança do turismo no Nordeste e destravar a construção civil, mas é
preciso avançar em outras áreas, especialmente na economia criativa, com a
implantação de centros de design, moda, cinema, vídeo, publicidade, serviços de
informática, televisão e rádio e por aí vai. O Prefeito ACM Neto precisa
começar, ele mesmo, a divulgar Salvador como área nobre para a realização de
negócios e atração de empresas e fazer com que a agência Salvador Negócios seja
uma efetiva agência de fomento. É fundamental também implantar uma política de
incentivos fiscais que torne Salvador atrativa às empresas que desejam investir,
não só as de fora, mas as sediadas no próprio estado. E o governo do Estado, que
vem sendo bem sucedido nessa área, tem de começar a colocar Salvador como
prioritário no seu programa de atração de investimentos. É verdade que não
haverá desenvolvimento em Salvador, sem que haja uma revolução na sua
infraestrutura, mas esse desenvolvimento tampouco virá se não houver o dinamismo
na sua economia.
ÔNIBUS EM
SALVADOR
O edital de licitação para o transporte de ônibus em Salvador
deve sair no próximos dias. Esse é um passo fundamental para melhorar o
transporte urbano na cidade. Dados coletados pelo portal Bahia Econômica dão
conta que Salvador tem a 4ª mais cara passagem de ônibus entre as capitais do
país, bem acima das demais cidades do Nordeste e de cidades que apresentam
serviços muito mais estruturados como Rio de Janeiro, onde a tarifa é R$ 2,75 e
Belo Horizonte, com valor de R$ 2,65. Apenas três cidades apresentam valor da
tarifa de ônibus acima de Salvador: Cuiabá(R$2,85), Florianópolis (R$ 2,90) e
São Paulo (R$3,00). Os dados estão sujeitos a reparos, mas com esse valor da
tarifa a Prefeitura pode exigir um serviço de qualidade, com ônibus novos e ar
condicionado e linhas mais
racionais.
PORTO DE SALVADOR
A licitação do novo
terminal marítimo de Salvador está causando polêmica. De um lado estão aqueles
que apoiam a proposta do governo federal e propõem a construção de dois
terminais no Porto de Salvador e de outro aqueles que defendem a ampliação do
atual terminal, que teria assim um grande berço para receber os supercargueiros
que hoje trafegam nas águas internacionais. Á princípio, a existência de mais de
um terminal para estimular a concorrência seria o mais adequado, como acontece
na maioria dos portos do Brasil. Concorrência é sempre bom e estimula o aumento
da produtividade. Por outro lado, para este economista, que é leigo no assunto,
a questão do tamanho dos berços, levantada pelos que defendem apenas um
terminal, não parece problema, afinal, os aterros são usados em todo o mundo
para ampliar os terminais e, ao que me consta, a questão do calado seria um
impeditivo muito maior. Prometo ao leitor estudar melhor o assunto, mas, ao que
parece, a discussão ainda não se esgotou.
Armando Avena
WAGNER E NETO PRECISAM DINAMIZAR A ECONOMIA DE
SALVADOR
A
Prefeitura de Salvador precisa voltar os olhos para a economia da cidade. A
economia soteropolitana é fortemente concentrada nos setores de comércio,
turismo e construção civil e como mostra
reportagem desta edição do Bahia Econômica todos os esses setores
estão apresentando fraco desempenho em 2013 e é isso que explica o aumento
expressivo da taxa de desemprego na cidade.
Deve-se
louvar o trabalho do Secretário de Desenvolvimento Turismo e Cultura, Guilherme
Bellintani, que vem realizando ações importantes especialmente no âmbito da
cultura e na ordenação do carnaval.
Mas
é preciso ampliar as ações de caráter mais econômico e o próprio Prefeito ACM
Neto precisa começar a divulgar Salvador como área nobre para a realização de
negócios e atração de empresas. É preciso que agência Salvador Negócios que foi
criada recente passe agir como agência de fomento, atraindo empresas, inclusive
industriais, desde que não poluentes, e viabilizando negócios.
É
necessário também a criação de uma política de incentivos fiscais que torne
Salvador atrativo às empresas que desejam investir, não só as de fora, mas as
sediadas no próprio estado. O governo do Estado também tem responsabilidade
nessa área e deve começar a estimular a vinda de empresas para a cidade.
O
fato é que Salvador e sua região metropolitana estão crescendo menos que
as demais capitais brasileiras. Segundo o IBGE, o PIB de Salvador caiu duas
posições no ranking das 10 maiores capitais do país, perdendo o posto de maior
economia do Nordeste para Fortaleza.
O
produto Interno Bruto do município de Salvador atingiu em 2010 o montante de R$
36,7 bilhões, sendo superado por Fortaleza com um PIB de R$ 37,1 bilhões.
A
Prefeitura de Salvador e o governo do Estado precisam dar uma guinada na
política de estímulo ao turismo, precisam buscar novas áreas de especialização
econômica para a cidade, precisam, enfim, encarar Salvador como um locus de
crescimento econômico do Estado e não apenas como área de lazer, turismo
e diversão.
Armando Avena