
Ser governador da Bahia é uma justa ambição de quem aqui vive e trabalha. Por isso é natural que, mesmo faltando quase dois anos para a eleição, os nomes comecem a se apresentar como uma expressão do desejo de cada um. Alguns se apresentam apenas para marcar posição, ou para se posicionar melhor no quadro eleitoral que se desenhará no futuro. No entanto, felizmente, ou infelizmente, ser governador da Bahia não tem origem num ato de desejo, mas numa confluência de diversos fatores que, ao final, deságuam num nome, obrigatoriamente referendado pelo povo. Por isso, as vezes, mais importante do que o nome é aquilo que o nome carrega. É possível afirmar, por exemplo, que na atual quadra política da Bahia, não prosperará um nome que carregue consigo o estigma da arrogância e do autoritarismo, ou que se proponha a alcançar objetivos, qualquer que sejam eles, na base da retaliação ou da intimidação. Em outras palavras: não há mais espaço político para quem não admite a crítica e não sabe conviver com o contraditório. Aliás, se houve algo que prosperou na era Wagner foi esse espirito democrático, que admite o pensamento crítico e convive com o contraditório, mesmo com fins políticos, o que resultou no fim da dicotomia maniqueísta entre carlistas e anticarlistas, ampliando o leque político da Bahia. Dito isso, vale lembrar que a Bahia está cada vez mais integrada ao Brasil, tanto política quanto economicamente, o que diminui as chances de nomes alternativos e de aventureirismos e aponta para a necessidade de nomes articulados com as grandes correntes políticas nacionais. Claro, além de tudo isso, os nomes que se apresentarem necessitam ter algum carisma e comprovada ou presumida capacidade de gerenciamento e administração. Por fim, vale lembrar que não há desejo ou confluência que vingue se o nome não tiver a virtù maquiavélica, a capacidade de seduzir a Fortuna. E a Fortuna, lembra Maquiavel, é deusa e mulher e, como tal, tem lá os seus caprichos.
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