sábado, 17 de setembro de 2011

INFRAESTRUTURA


Empresas alemães mantêm planos de investimento no Brasil, aponta

pesquisa


Por Marta Watanabe - Valor Econômico
De São Paulo

Há certa apreensão, mas com manutenção de planos de investimentos. É assim que a Câmara Brasil-Alemanha de São Paulo interpreta os dados da pesquisa de conjuntura dos meses de agosto e setembro, realizada com cerca de 35 empresas alemãs.

O levantamento mostra que 35% dos pesquisados consideram que o ambiente daqui a seis meses ainda se manterá "favorável" para investimentos. Outros 40% consideram que o quadro estará"mediano". Os dados da pesquisa sinalizam apreensão para o ambiente de negócios no Brasil. Na pesquisa anterior, de junho e julho, 54,5 % dos pesquisados consideravam "favorável" o cenário da época para investimentos e 27,3% avaliavam como"mediano".

Weber Porto, presidente da entidade, diz que os investidores estão mantendo seus projetos para o Brasil, apesar de certa preocupação em relação aos eventuais impactos da crise na zona do euro no mercado doméstico. Para ele, a preocupação com a crise global não deverá retardar o fluxo de investimento planejado.

Ele lembra que a expectativa dos investidores é que o Brasil mantenha o crescimento em 2011 e nos próximos anos, embora em ritmo abaixo dos 7,5% do ano passado. "Muitas empresas deixaram de investir, ou reduziram o ritmo de investimento, em 2008, em razão da crise, e depois deixaram de aproveitar o forte crescimento do mercado brasileiro."

Para ele, agora há uma nova oportunidade. O Brasil está entre os países emergentes, diz, e,além do potencial grande de crescimento de renda e de seu impacto sobre o consumo, há também eventos importantes que devem gerar dinamismo ao mercado doméstico, como a Copa do Mundo e a Olimpíada.

A mesma pequisa conjuntural de agosto e setembro aponta que a maior preocupação das empresas alemãs instaladas no Brasil é a falta de mão de obra qualificada. O item, que teve 25,5% dos votos no último levantamento, costumava ser o quarto item de preocupação nas sondagens anteriores.

Para Ingo Plöger, diretor de relacionamento bilateral da Câmara Brasil-Alemanha, a preocupação das empresas com a falta de mão de obra qualificada é um indicador não só do crescimento do mercado doméstico como também da perspectiva das companhias alemãs de continuar investindo.

Segundo o diretor, o problema passou a tornar-se mais significativo nos últimos dois anos.
A preocupação com a mão de obra desbancou a tradicional campeã da classificação, a carga tributária e trabalhista, que ficou em segundo, com 15,7% dos votos. No caso dos investidores alemães,diz Plöger, um facilitador de investimentos, principalmente em pesquisa, desenvolvimento e inovação,seria a assinatura de um acordo para evitar dupla tributação entre o Brasil e a Alemanha. Segundo ele, vários investimentos alemães acabam entrando por terceiros países, que mantêm acordos tributárioscom o Brasil.

O terceiro maior problema apontado é a infraestrutura, com 10% dos votos. Plöger lembra que o aumento da corrente de comércio total do Brasil intensificou gargalos, principalmente em portos e aeroportos, que aumentaram o tempo necessário para o desembaraço de mercadorias.

Apesar das preocupações, diz Plöger, o Brasil ainda é visto como um mercado promissor para os alemães. Segundo dados da entidade, há no Brasil 1,2 mil empresas alemãs. O volume acumulado de investimentos e reinvestimentos alemães no país é estimado em US$ 25 bilhões.

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Lobão e Tolmasquim divergem sobre usinas nucleares

Por Samantha Maia, Rodrigo Pedroso e Marta Nogueira
De São Paulo e do Rio

O governo bateu cabeça ontem em relação aos planos de construção de usinas nucleares no Brasil. Enquanto o ministro de Minas e Energia, Édison Lobão, afirmou que será decidido em 2012 o local de construção de quatro novas unidades desse tipo de energia, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, disse que os planos sobre o assunto estão em avaliação, apesar de não estarem descartados.

Em evento no Rio de Janeiro, Lobão negou que o acidente com a usina japonesa de Fukushima,ocorrido no começo do ano, tenha mudado os planos do governo. "O Brasil mantém a sua política de expansão da energia nuclear. Temos projeto para mais quatro usinas a curto prazo e a possibilidade de instalação de outras em todo o país." No começo do ano, o governo sinalizou com a possibilidade de construção de duas usinas no Nordeste e duas no Sudeste.

De acordo com ele, estudos realizados pela Eletronuclear e pela Empresa de Pesquisa
Energética (EPE), encomendados pelo ministério após o desastre no Japão asseguraram que não há perigo de um acidente nuclear no Brasil. Lobão explicou que o modelo de usina construído no Brasil é diferente de Fukushima e que gera "segurança absoluta".

Apesar de o acidente ter provocado preocupações internacionais com segurança em usinas nucleares, o ministro alega que o ocorrido no Japão "não foi um problema da usina nuclear, foi um problema de um tsunami e de um terremoto".

Em São Paulo, em coletiva, Tolmasquim disse que o acidente no Japão e o excedente de energia da matriz elétrica brasileira permitem ao governo deixar em segundo plano a construção de
novas usinas nucleares até 2030. "Não estou dizendo que elas estão descartadas, mas os planos estão em suspensão. Estamos aguardando para tomar uma decisão e, como temos muitas opções de matrizes, não temos pressa." Preocupado com a repercussão que a palavra suspensão poderia causar,


Tolmasquim frisou à reportagem que o plano apenas está sendo revisto, e que o país não deve se fechar ao desenvolvimento da geração de energia nuclear.


Tanto Lobão quanto Tolmasquim garantem, porém, que a usina de Angra 3, que está em construção pela Eletronuclear, será concluída.

Segundo o presidente da EPE, o Brasil vai ter até 6 mil MW médios de energia elétrica excedente em 2013 e 2014. A sobra da capacidade de geração de energia em relação ao consumo do país também deu ao governo federal mais tranquilidade para resolver o problema dos atrasos das usinas termelétricas do grupo Bertin, de acordo com Tolmasquim.


Segundo ele, o governo ainda está avaliando se é possível dar mais tempo à empresa ou se será o caso de cassar a concessão. "A sobra de energia hoje é maior do que essas usinas, por isso o atraso não afeta nosso abastecimento."

Ralf Terra, vice-presidente da Abdib, entidade das empresas de infraestrutura, concorda que o momento é de tranquilidade no setor elétrico. "Há pouco tempo vivíamos um momento de incertezas.

Hoje temos resultados significativos e um planejamento importante no setor", diz. Ele afirma, porém, que ainda há gargalos a serem vencidos para dar mais agilidade aos investimentos, como entraves na área ambiental e a falta de mão de obra especializada.

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