REUB CELESTINO
Enquanto a torcida comemora a ascensão do Esporte Clube Bahia para a 1ª divisão do Campeonato Brasileiro, o presidente da Ebal, Reub Celestino, outrora cotado para concorrer à presidência do Esquadrão de Aço, assume uma visão pessimista sobre o futuro do clube: “Se continuar do jeito que está, desce [no ano que vem]”. O homem que conseguiu tirar a Empresa Baiana de Alimentos do buraco e transformá-la numa referência de gestão critica a falta de transparência do atual mandatário tricolor, Marcelinho Guimarães.
Na Entrevista da Semana, Reub também explica como conseguiu reequilibrar as finanças da Ebal, que devia R$ 90 milhões a fornecedores, e explica como será o projeto que irá revitalizar a Ceasa do Rio Vermelho.
Na Entrevista da Semana, Reub também explica como conseguiu reequilibrar as finanças da Ebal, que devia R$ 90 milhões a fornecedores, e explica como será o projeto que irá revitalizar a Ceasa do Rio Vermelho.
"[Recuperei a Ebal] com compromisso, seriedade e honestidade"
Por João Gabriel Galdea
Bahia Notícias -
Em tempo recorde, ou pelo menos em um tempo que ninguém contava que fosse possível, você conseguiu reabrir as lojas da Cesta do Povo e equilibrar as finanças da Ebal.
De modo conciso, como o senhor explicaria essa recuperação tão rápida?
Em tempo recorde, ou pelo menos em um tempo que ninguém contava que fosse possível, você conseguiu reabrir as lojas da Cesta do Povo e equilibrar as finanças da Ebal.
De modo conciso, como o senhor explicaria essa recuperação tão rápida?
Reub Celestino - De forma bem concisa, com compromisso, seriedade e honestidade.
BN – A Ebal é citada em revistas especializadas, a exemplo da Supermercado Moderno Awards, por seu extraordinário desempenho. Qual a importância desse reconhecimento?
RC – Bom, primeiro, como gestor, um reconhecimento a todo o trabalho feito pela equipe ao longo desses anos. Nós ganhamos prêmio pelo reconhecimento em 2008, em 2009, e certamente a Ebal vai ganhar prêmio em 2010. Mas não somente o Supermercado Moderno. Outros institutos e outras publicações retratam e dizem o que a Ebal fez. Por exemplo, a Revista Exame já nos coloca entre as maiores estatais brasileiras. Em termos de desempenho econômico, a Ebal foi a segunda melhor da Bahia este ano, se nós considerarmos todos os segmentos da nossa economia. Então, tudo isso reflete o resultado de um período de trabalho intenso e de recuperação da credibilidade junto aos fornecedores. A Ebal não deve absolutamente nada a nenhum fornecedor. E em quatro anos de gestão nós pagamos rigorosamente em dia a todos os fornecedores de mercadorias.
BN – Como era a situação da empresa, quando o senhor chegou?
RC – Eu encontrei uma dívida com fornecedores de R$ 95 milhões, que está 97% paga. 3% estão sendo questionados na Justiça, mas, eu diria arrependidos até, porque se eu resolvi 97%, poderia resolver 3%. Mas se estão na Justiça, eu não posso fazer nada. Nós encontramos uma dívida previdenciária muito alta e equacionamos. Nós encontramos uma dívida tributária, inclusive com o próprio governo do estado, e equacionamos. Nós tivemos, infelizmente, que reduzir o número de pessoas porque existia muita gente, aqui na empresa, de forma desencontrada. Não sabiam exatamente o que é que faziam aqui, a não ser que tinham um emprego. Não tinham objetivos, não tinham funções, e nós tivemos que reduzir o quadro buscando eficiência. Por conta disso é que além do faturamento da empresa crescer e bater recordes, nós tivemos um aumento brutal, estupendo, da produtividade, medida por qualquer ângulo, qualquer critério. Isso faz com que a gente entenda que os profissionais que trabalham na Ebal, eles são produtivos, desde que bem dirigidos.
BN – Além de se reestruturar, a Ebal também cresceu. De que ordem foi esse crescimento?
RC – Ela tem crescido numa média de 30% ao ano, sobre o ano anterior, o que é estupendo. E olha que nós não somos pequenos. Nós já estamos com 302 lojas. Nós cuidamos de cinco mercados tipo Ceasa. Nós temos 27 farmácias populares agregadas à Ebal. Tínhamos uma fábrica até recentemente, mas mudamos o modelo de produção. Temos cinco grandes centrais de distribuição e estamos em 245 municípios baianos. Portanto, a Ebal não é pequena.
"A minha resposta é o projeto pronto, com o dinheiro que está no banco, apenas esperando o processo licitatório". [Sobre o pedido de interdição da Ceasa do Rio Vermelho]
BN – Agora, nem tudo são flores. A Justiça está pedindo a interdição da Ceasinha, no Rio Vermelho, que é administrada pela Ebal...
RC – Eu não entendi a solicitação de interdição feita por esse promotor [Aurisvaldo Melo Sampaio alega que a Ceasa do Rio Vermelho não tem condições higiênico-sanitárias apropriadas e que sua estrutura física necessita de reformas, especialmente na parte de segurança contra incêndio]. Esse mesmo promotor já havia coordenado uma reunião envolvendo Vigilância Sanitária, Sucom e Ebal em relação ao mercado. Com a permissão dele, fizemos um trabalho chamado 'Ceasa Legal', para tratar de todas as questões, e eu considero essa ação precipitada e irresponsável. Eu acho que ele ou se enganou ou tomou uma atitude errada de primeiro noticiar à imprensa para depois, eu imagino, notificar a Ebal. Pra você ter uma ideia, a Ebal ainda não foi notificada sobre a ação [a entrevista foi feita no início da semana passada]. O projeto de revitalização da Ceasinha já foi apresentado à Caixa desde junho de 2010, e houve apenas pequenos reparos para sua apresentação definitiva. Refizemos o projeto, que foi entregue à Caixa, com o dinheiro, em outubro. Agora, a promotoria está pedindo a interdição imediata do mercado e a transferência dos comerciantes para um local “adequado” num prazo de 30 dias. Isso é maluquice. O que é que ele vai fazer com os cerca de 120 boxes? Onde é que ele vai colocar essas famílias, que se preparam para o Natal? A minha resposta é o projeto pronto, com o dinheiro que está no banco, apenas esperando o processo licitatório.
BN – E como ficará a nova Ceasinha?
RC – Será um investimento de R$ 24 milhões, com ampliação da capacidade de comercialização dos produtos, aumento das vagas de estacionamento e inclusão de uma área de lazer, com palco para shows. Isso vai transformar o local em mais uma atração turística da cidade. O mercado será praticamente reconstruído. A Ceasinha passará a ter cerca de 180 boxes, 50% a mais do que atualmente, e o número de vagas no estacionamento, que era um dos nossos principais problemas, saltará de em torno de 100 para 337.
"Eu acho que Marcelinho tá pecando nisso. Ele não está tornando o Bahia transparente. Ele não está mostrando a cara do Bahia para a torcida".
BN – O senhor chegou a ser cotado para ser presidente do Esporte Clube Bahia...
RC – Se fosse o presidente do Bahia, ele não perderia nem para o Bragantino nem para o Santo André [refere-se aos últimos dois jogos do tricolor na Segunda Divisão deste ano, no qual os jogadores teriam feito corpo mole por atraso no pagamento do "bicho" pela ascensão].
BN – Pois é. Mas apesar de ter subido, a torcida tricolor ainda reclama dos deslizes da diretoria com relação a contratação de jogadores, pagamentos de salários atrasados etc. Se o senhor fosse o presidente do Bahia, o que faria?
RC – Repare bem. Eu vou ser bem frio na minha resposta. Eu era conselheiro do Bahia e renunciei. Renunciei para não haver a possibilidade de eu ser candidato a presidente. Eu fui indicado pelas oposições como consenso pra ser presidente do clube sem bater chapa, porque o conselho, formado de cerca de 300 pessoas, era dividido em dois grupos. Dois donos. Certamente que eu tomaria quase que 300 a zero, indo para esse embate. Mas, o Marcelinho Guimarães, ele conseguiu atingir talvez o principal objetivo da torcida emocionada, que depois de sete anos viu o time subir. Vou repetir: da torcida emocionada. Ele precisa agora atender aos anseios da torcida racional – que é a mesma torcida – e que quer o Bahia como um empreendimento sério, correto, e que tenha a força que o Bahia tem como torcida, em âmbito nacional. E isso tá muito claro agora. Nós subimos e, logo depois, nós voltamos a ser o velho Bahia dos desmandos e das coisas absurdas ao longo dos últimos dez anos.
BN – Ou mais, porque quando foi campeão brasileiro em 1988 também estava endividado e com vários problemas de gestão...
RC – Exatamente. Então, aquela brincadeira que fiz no início é isso: o Bahia não pode viver de espasmos de emoção. O Bahia tem que viver, acima de tudo, de razão, para atender à emoção dos torcedores.
BN – Se Reub assumisse o Bahia, tiraria o clube do buraco de uma vez, como fez na Ebal?
RC – Tirar o Bahia do buraco não é difícil. Repare bem: os princípios que eu elenquei – compromisso, seriedade, honestidade, essas coisas – são indissociáveis de uma prática boa, de uma boa gestão. Qualquer empresa que queira caminhar para a frente, com bons resultados, tem que ser tratada com muita seriedade, muito compromisso. A chamada transparência absoluta. Eu acho que Marcelinho tá pecando nisso. Ele não está tornando o Bahia transparente. Ele não está mostrando a cara do Bahia para a torcida. Não estou me referindo à torcida emocionada, mas à racional. A torcida emocionada é boa quando é dia de jogo. A torcida racional é boa para a história futura do Bahia. É ela que vai levar o Bahia à frente. Por exemplo, nós vimos o goleiro Fernando, que nos deu a classificação. Porque se não fosse Fernando no gol, o Bahia não teria subido. Foi ele quem salvou o Bahia de muita coisa, ultimamente.
BN – O que o senhor acha desse plantel do Bahia?
RC – Esse time do Bahia é muito ruim. O time conseguiu, graças a esse treinador [Márcio Araújo], que é muito competente, unir uma determinada força para passar desse campeonato da Série B para a Série A. Repare que era um campeonato de timinhos. Não tinha nenhum brilhante nessa história. E o Bahia conseguiu. Mas agora o jogo é outro. Só tem cachorro grande agora. E o Bahia não está preparado, principalmente em termos de gestão.
BN – Deve ter eleição para a presidência do clube agora em 2011...
RC – A eleição deles. Não é a eleição do estatuto que a torcida quer – a torcida racional. Não é o estatuto da torcida. Não é o estatuto limpo. O Bahia tá complicado.
"O Bahia tem que viver, acima de tudo, de razão, para atender à emoção dos torcedores".
BN – Nesse cenário colocado pelo senhor, acha então que o Bahia desce para a Segundona ano que vem?
RC – Se continuar do jeito que está, desce. Você sabe quais são as finanças do Bahia atual?
BN – Não, mas alguém sabe?
RC – Eu não sei. Você não sabe. Acho que nenhum leitor de vocês sabe. Então, o que é que a gente espera? Disseram que demitiram Fernando porque ele era caro. E Fernando disse que ele era um dos salários mais baixos do time. Alguém tá mentindo nessa história, não é verdade? Enfim, eu tô com muito medo.
BN – Ano que vem a Ebal já elege uma nova diretoria. O senhor pretende continuar à frente da empresa?
RC – A gestão do governador Jaques Wagner que eu entrei termina agora em dezembro. A gestão futura o governador está reformulando. Não compete a mim comentar absolutamente nada sobre o assunto. Por enquanto, me preparo para sair.
Texto em BahiaNoticias
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