quinta-feira, 4 de março de 2010




Ciclo de debates prepara a Bahia para o futuro

O desenvolvimento sustentável, as políticas agrícolas, a descentralização industrial e a mineração foram os temas centrais do terceiro módulo do Pensar a Bahia, realizado nesta quarta-feira (dia 03) em Salvador.
O ciclo de debates, promovido pela Secretaria do Planejamento (Seplan), visa consolidar um plano de desenvolvimento tendo como horizonte o ano de 2023, quando a Bahia vai comemorar 200 anos de independência.
De acordo com o especialista em Gestão Ambiental Cláudio Langone, há muitos desafios nos países em desenvolvimento, entre eles, conseguir equilibrar crescimento econômico, inclusão social e sustentabilidade ambiental. ”O Brasil tem grande potencial de liderar a oferta de alternativas tecnológicas para minimizar os efeitos do aquecimento global”, disse Lagone, que foi secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente.
O secretário do Planejamento, Walter Pinheiro, afirmou que o governo da Bahia hoje planeja o desenvolvimento, algo que não ocorria há muitos anos no estado. “Estamos descentralizando as ações que antes eram direcionadas apenas para a capital e investindo em todas as regiões, levando infraestrutura social e capacitação profissional”, disse. Pinheiro também citou a implantação da ferrovia Oeste Leste, que vai escoar a produção mineral e agrícola da Bahia, além do Porto Sul, que começa a ser implantado este ano em Ilhéus.
Na mesa sobre política agrícola, agronegócio e agricultura familiar, o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia, Walter Horita, abordou os desafios do setor produtivo e as vantagens competitivas dos produtores baianos. De acordo com Horita, os desafios se concentram em aumentar a produtividade versus a redução de custo, na melhoria de qualidade, na ampliação da capacidade de armazenagem e na capacitação para lidar com mecanismos de comercialização e garantia de preços.
Horita também pontua que os produtores baianos possuem vantagens competitivas, a exemplo da fronteira agrícola consolidada, a diversificação da matriz produtiva, a posição geográfica estratégica, além do clima, solo e topografia favoráveis. Como tendências, o produtor destaca a ampliação da área cultivada (fibras e grãos), elevação dos índices de produtividade (novas tecnologias, OGM), integração lavoura-pecuária e industrialização.
Na avaliação de Eduardo Salles, chefe de gabinete da Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), é de fundamental importância se estabelecer um planejamento estratégico para o Estado. "Dessa forma, poderemos estruturar as políticas agrícolas e a descentralização industrial, fortalecendo a formulação de políticas públicas a longo prazo".
Na opinião de Ailton Florêncio, superintendente estadual de Agricultura Familiar, se faz necessário "pensar a agricultura familiar como um núcleo de negócios, com a oferta de mercadorias". Conforme ele, para o segmento agropecuário se desenvolver, é preciso que o produtor rural se organize e haja extensão rural, assistência técnica e defesa sanitária.
Descentralização – No debate mediado pelo secretário estadual da Indústria Naval e Portuária, Roberto Benjamin, na mesa sobre descentralização industrial e mineração, tratou-se das perspectivas e desafios para estes setores.
“O Governo do Estado prevê a requalificação dos portos baianos, a implantação de um grande estaleiro para produção de navios e plataformas de exploração de petróleo em São Roque do Paraguaçu, além de outros projetos para o setor naval”, destacou Benjamim, lembrando ainda que a Bahia possui um grande potencial na área e apenas o empreendimento em São Roque deve gerar sete mil novos postos de trabalho.
Este cenário de oportunidades na Bahia também foi desenhado pelo vice-presidente da Bahia Mineração (Bamin), Clóvis Torres. De acordo com ele, a expectativa é que a indústria extrativa mineral salte de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para 10% nos próximos cinco anos. Outra boa notícia que vai gerar novos postos de trabalho é a implantação do complexo industrial com mina e usina de beneficiamento de minério de ferro, no município de Caetité. “A nossa expectativa é produzir 18 milhões de toneladas de concentrado de minério de ferro ao ano”, afirma Torres, ressaltando que o escoamento da produção será por meio do Porto Sul, cujas obras terão início ainda no primeiro semestre deste ano.
Sinérgico aos debates sobre os desafios e perspectivas de desenvolvimento para a Bahia, o termo ‘sustentável’ foi utilizado em todas as palestras, especialmente, na mesa sobre meio ambiente.
O superintendente de Políticas para a Sustentabilidade da Secretaria do Meio Ambiente, Eduardo Mattedi, explicou que o desafio da sustentabilidade vai muito além da equação básica do equilíbrio entre o econômico, o ecológico e o social. “Não se trata de pensar em concessões de parte a parte ou de renúncias de investimentos e compensações para proteção ambiental. A sustentabilidade exige antes uma compreensão dos processos sinérgicos possíveis entre investimentos econômicos, os ecossistemas em que se inserem e o modo de vida da população implicada”, concluiu.
O Pensar a Bahia contará ainda no mês de março com dois novos módulos, nos dias 17 e 31 de março, que abordarão o desenvolvimento e poder público municipal, cidadania e direitos humanos, além do turismo, indústrias criativas, ciência, tecnologia, universidades e centros de pesquisa.
Fonte:SEPLAN

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