terça-feira, 12 de outubro de 2010

Jaques Wagner convida


A Califómia vem à Bahia
Eduardo Athayde
Diretor do WWI - Worldwatch Institute no Brasil
eduathayde@gmail.com
Convidado pelo governador Jaques Wagner ao Palácio de Ondina no Dia do Meio Ambiente, em 2008, o pre­sidente do WWI-Worldwatch Institute, Christopher Flavin, um dos mais respei­tados cientistas do mundo, focado na sus­tentabilidade, colocou-se à disposição para ajudar a Bahia na articulação para a trans­ferência de tecnologias e atração de in­vestimentos.
Impressionado com o biopo­tencial do Estado, único no País com cinco biomas distintos e mais de mil quilômetros de costa oceânica tropical, Flavin exclamou:
"É tudo que o mundo procura."
Recentemente o governo da Bahia enviou à California missão oficial chefiada pelo secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia (Secti), Feliciano Monteiro, visan­do articulações para transferência de ciên­cia e tecnologias para a Bahia e apoio para o Parque Tecnológico. Acompanhada pelo WWI, a iniciativa resultou na assinatura de protocolo de intenções entre a Universi­dade da Califórnia, em Berkeley, e a Secti. Assistindo a delegação baiana, o vice-côn­sul brasileiro em São Francisco, Evaldo Frei­re, destacou a importância da iniciativa do governo da Bahia em reunião com auto­ridades californianas.
A missão também foi recebida pelo pre­sidente da San Francisco Bay Preservation and Development Comission, Will Travis, em reu­nião articulada pelo Rotary Club. A Baía de São Francisco tem um estuário que drena 40% dos recursos de água do Estado mais rico dos EUA, monitora sedimentos controlando despejo de efluentes industriais na sua baía. Cercada por uma região metropolitana de 18 mil quilô­metros quadrados, com população de 7,5 mi­lhões de pessoas, nove municípios, 101 ci­dades, indústrias, portos, aeroportos e ferro­vias, São Francisco usa tecnologias de ponta desenvolvidas na Universidade da Califórnia para garantir o seu desenvolvimento econô­mico sustentável. Em novembro próximo Tra­vis vem à Bahia junto com cientistas da Uni­versidade da Califórnia, para assinatura de acordo que declara as baías de São Francisco e de Todos-os-Santos como Baías Irmãs.
Com um PIE de US$ 2 trilhões e responsável por 14% do produto interno bruto dos Estados Unidos, a Califórnia é a sétima economia do mundo. Transbordando em riquezas, é líder nacional na produção de leite, carne bovina e hortifrutis granjeiros. O valor total dos produtos da agropecuária californiana é o maior do setor no país, mesmo assim o setor primário responde apenas por 2% do PIE do Estado. Com 89 mil fazendas, muitas irrigadas, os californianos buscam na ciência e tecnologia desenvol­vimentos e inovações para o agronegócio.
O setor secundário responde por 18% do PIE da Califórnia. A indústria de compu­tação e alta tecnologia é a maior do setor de todo os EUA. O valor total dos produtos desse segmento industrial é de US$ 82 bi­lhões (o PIE da Bahia é de US$ 55 bilhões). Líderes na geração de eletricidade usando fontes renováveis de energia eólica e solar, os californianos enxergaram nos mapas de sol e de vento da Bahia potenciais para o desenvolvimento de um polo energético.
No setor terciário está a grande força da economia californiana, respondendo por 80% do PIE, um universo pulsante de novos empregos gerados pela força econômica empurrada pela geração de conhecimentos e por inovações tecnológicas.
A Universidade da Califórnia é a maior universidade pública dos Estados Unidos, possui dez campi com mais de 400 mil estudantes, é considerada uma das melho­res instituições de ensino superior público dos EUA e emprega mais vencedores do Prêmio Nobel do que qualquer outra ins­tituição de ensino superior do mundo.
Par­cerias com as universidades públicas da Bahia, trazendo recursos para pesquisas, transferências de tecnologias e bolsas para intercâmbio entre professores e estudantes é o que querem as universidades de lá e as de cá.
A CalifórnÍa tem muito a contribuir com a Bahia, transferindo conhecimentos, tec­nologias e recursos para a promoção de negócios sustentáveis, geradores de empre­go e renda, ajuda a transformar preser­vação em PIB, uma lucrativa relação de parceria para a sustentabilidade.

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